Consórcio ECOVAL reúne-se cara a cara no Porto, uma cidade empenhada na circularidade

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A cidade do Porto acolheu, no passado mês de junho, o encontro dos participantes no projeto ECOVAL que, ao longo de dois dias de trabalho, tiveram oportunidade de partilhar experiências, aprendizagens, desafios e perspetivar o futuro.

Ao longo de dois dias bastante preenchidos com apresentações e visitas a pontos de interesse locais como a Água e Energias do Porto, ou à Lipor, estes cerca de 20 participantes ficaram a conhecer um pouco mais destas instituições e do trabalho desenvolvido nesta área.

 

Enquanto anfitriã a Porto Ambiente pôde também partilhar aquele que tem sido o caminho que tem vindo a ser trilhado na área dos resíduos orgânicos e os maiores desafios encontrados neste percurso.
O projeto Orgânico, lançado em abril de 2021, contou com uma forte campanha de comunicação e sensibilização que permitiu uma forte adesão à iniciativa.
Em pouco mais de um ano, este projeto já envolve mais de 26 500 famílias e regista números impressionantes em termos de recolha: mais de 100 toneladas de resíduos/ mês. O peso desta operação é de tal forma importante que, no primeiro semestre de 2022 houve um crescimento superior a 80% neste tipo de resíduos face ao período homólogo.
Números que permitem uma redução do desperdício, minimização dos valores remetidos para indiferenciado, e que traduzem uma verdadeira circularidade, com estes resíduos a serem transformados em composto orgânico de elevada qualidade, utilizado na agricultura biológica.

 

Se estes dados não deixam margem para dúvidas sobre o empenho dos portuenses, traduzem também o sucesso da estratégia da Porto Ambiente, com a aposta nos orgânicos, projeto cujo alargamento a toda a cidade está previsto acontecer até ao final de 2023. Um horizonte ambicioso, mas em harmonia com o compromisso da Porto Ambiente de promoção da economia circular, essencial para alcançar a meta da neutralidade carbónica na cidade, em linha com os desafios do Pacto do Porto para o clima, que a empresa municipal abraçou desde a primeira hora.

 

O contentor castanho chega às escolas de Ourense por intermédio do projeto Ecoval Sudoe

O projeto Ecoval Sudoe, Estratégias de coordenação de gestão e valorização de lamas e resíduos orgânicos na região SUDOE, entra este ano de 2022 numa nova fase. Depois de demonstrada com êxito a tecnologia de conversão de lamas de tratamento em ácidos gordos voláteis, compostos que servem como matéria-prima na indústria química e petroquímica, a Estação de Tratamento de Água Residuais (E.T.A.R.) de Ourense mudará agora de matéria-prima para revalorizar resíduos orgânicos recolhidos seletivamente, que serão provenientes dos contentores recentemente instalados na escola de Seixalbo, Ourense.

O refeitório da escola converte-se assim em fornecedor da matéria-prima com a qual a instalação piloto operará, tendo em vista obter ácidos gordos voláteis. Desta forma, o centro também se envolve na campanha de educação ambiental  “Outro contentor, que castanho!”, cujo objetivo consiste em consciencializar os mais jovens para a importância da separação correta dos resíduos, com ênfase no quinto contentor e nas características dos resíduos orgânicos.

Representantes da Cetaqua, líder do projeto, acorreram pessoalmente ao centro para assentarem as bases da colaboração e efetuarem uma palestra divulgativa, dirigida ao pessoal do refeitório, sobre quais os tipos de resíduos que devem ser depositados no contentor castanho. Juntamente com a Cetaqua, também assistiram representantes do Concelho de Ourense e de Viaqua, sócios associados do projeto, que apoiam e impulsionam a iniciativa, posicionando a cidade de Ourense, e em especial a sua purificadora, como uma referência absoluta na aposta no desenvolvimento de tecnologias verdes e na economia circular.

Castela e Leão, representada no projeto através da Fundação Património Natural, juntamente com a Câmara Municipal de Palência e Aquona, que também apoiam a iniciativa, também se envolverão no fornecimento de resíduos orgânicos através de escolas, para consciencializarem para a importância dos cuidados com o meio ambiente e impulsionarem igualmente o modelo de biofábricas.

Importância do enfoque Ecoval

Na região Sudoe, que abrange as comunidades autónomas espanholas (exceto Canárias), as regiões do sudoeste da França, as regiões continentais de Portugal, Gibraltar e o Principado de Andorra, cada indivíduo gera 136 kg de resíduos orgânicos por ano. Alcança-se assim a geração de 11 milhões de toneladas de resíduos orgânicos anuais, 9 dos quais são restos de comida. Atualmente, 65% destes resíduos orgânicos são incinerados ou depositados em aterro, devido a uma baixa implantação da recolha seletiva.

Desde o seu início em novembro de 2020, o projeto Ecoval prepara o terreno para a chegada do contentor castanho que, em fins de 2023, deverá estar implantado em todas as cidades europeias. Graças ao enfoque promovido pelo projeto, os biorresíduos serão devolvidos ao ciclo económico, contribuindo para o objetivo fixado pela União Europeia de reciclar 65 % dos resíduos municipais até ao ano de 2035.

Além dos sócios previamente referidos, participam neste desafio a Universidade de Santiago de Compostela, a Fundação Empresa-Universidade Galega, o Instituto Nacional de Ciências Aplicadas de Toulouse, Nereus, Águas do Tejo Atlântico e a Empresa Municipal de Ambiente do Porto. O consórcio, cofinanciado pelo Programa Interreg Sudoe através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional conta, além disso, com o apoio de 31 sócios associados.

O que são ácidos gordos voláteis?

Os ácidos gordos voláteis (VFAs) são compostos orgânicos com seis ou menos carbonos na sua estrutura. Embora estes termos não sejam familiares ao público em geral, podem ser encontrados na natureza, geralmente como resultado de processos bacterianos como a digestão anaeróbica. Dado o seu elevado valor energético, os VFAs são uma parte comum do metabolismo animal, tal é a sua versatilidade que podem ser encontrados na produção de vinagre (acético), aromatizantes alimentares (butíricos) ou conservantes (propiónicos). Atualmente, os ácidos gordos voláteis são quase inteiramente obtidos a partir de recursos fósseis, o que tem um impacto ambiental muito elevado.

No entanto, estes VFA podem ser produzidos através de processos biológicos que foram desenvolvidos nas últimas décadas e para os quais ainda estão a ser encontradas novas metodologias, mais eficientes e precisas. Além disso, pertencem à categoria de produtos intermédios, ou seja, podem ser convertidos numa grande variedade de produtos finais (plásticos, tintas, lubrificantes, cosméticos, etc.), dependendo dos processos seleccionados. Esta flexibilidade na produção e conversão é uma das razões pelas quais a procura de VFAs no sector químico está a crescer de forma constante.

O projeto ECOVAL SUDOE desenvolve tecnologias para a produção destes ácidos a partir de lamas de depuração e bio-resíduos gerados no ambiente urbano. O projeto promove assim o modelo de biorefinaria ou biofábrica, um novo conceito de instalações que geram subprodutos de alto valor acrescentado a partir de resíduos. Destes substratos obtêm-se cadeias curtas de carbono, ácidos gordos voláteis, que no caso do ECOVAL são de preferência acéticos, butíricos e propiónicos.

A produção de AGV de origem renovável representa ainda uma fração mínima, pelo que é essencial que o desenvolvimento de soluções baseadas na economia circular como a proposta pela ECOVAL, totalmente alinhada com os objetivos da União Europeia de ser o primeiro continente neutro em termos climáticos até 2050.

Interessante, não é? Aqui pode ler como se iniciou o trabalho na planta piloto do projeto.

 

Mãos na lama! O Ecoval Sudoe completa os trabalhos na planta piloto para a produção de ácidos gordos voláteis

Um dos objetivos do projeto Ecoval Sudoe é demonstrar a viabilidade técnica da produção de ácidos gordos voláteis (AGV) a partir das lamas urbanas. Para isso, na Estação de Tratamento de Águas Residuais de Ourense (ETAR), a Cetaqua criou diferentes testes para otimizar a geração de ácidos como o ácido acético, propiónico ou butírico a partir de lamas de esgotos.

Com o objetivo de determinar as condições de funcionamento mais adequadas para a instalação piloto de produção de AGV, foram primeiro realizados diferentes testes à escala laboratorial, como testes de lote numa escala de 0,5L e o funcionamento de reatores semi-contínuos de 5L de volume, que demonstraram a adequação das lamas de depuração como substrato com elevado potencial para a produção de bioprodutos de alto valor acrescentado com AGV.

A informação fornecida à escala laboratorial ajudou os técnicos da Cetaqua a ter uma primeira aproximação dos rendimentos da produção de AGV que podem ser obtidos a partir de lamas com e sem pré-tratamento. Foram também capazes de analisar o efeito de parâmetros operacionais tais como pH, relação alimentação/microorganismo, tempo de residência hidráulica, etc.

Numa escala piloto, os técnicos otimizaram o processo de fermentação para a produção de AGV, obtendo um fluxo que tem de ser submetido à separação sólido-líquido, uma operação unitária que teve de ser aperfeiçoada graças a “jar test” que permitiram determinar as doses ótimas de coagulante e floculante para a divisão das frações sólidas e líquidas. Assim cumpriu-se o objetivo de produzir uma corrente líquida rica em AGV, para o parceiro NEREUS estudar a sua clarificação e concentração e uma pasta sólida de alta secagem que a INSA recuperará energeticamente.

Após estes testes, prosseguem agora os trabalhos na instalação piloto que, após uma fase de arranque marcada por dificuldades hidráulicas no funcionamento e os ajustamentos necessários, está agora a funcionar de forma mais robusta. Em breve começará a ser alimentado com bioresíduos.

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Cetaqua lidera o projeto Sudoe ECOVAL que vai transformar lixo orgânico urbano em recursos

  • O projeto europeu promoverá o modelo de biofábrica para obtenção de bio-produtos de alto valor acrescentado a partir de lamas do tratamento de águas residuais e biorresíduos urbanos, replicáveis em toda a União Europeia
  • 8 entidades de Espanha, França e Portugal fazem parte do consórcio para promover um modelo circular inovador para a gestão de resíduos orgânicos nas cidades

14 de Janeiro de 2021. A gestão de resíduos orgânicos urbanos apresenta atualmente desafios a serem enfrentados, como minimizar o deposição em aterro ou aumentar a reciclagem. Para fazer face a este desafio, a Cetaqua Galicia continua a apostar na economia circular, ao liderar o projeto ECOVAL do programa Interreg Sudoe 2014-2020. O principal objetivo deste projeto é a obtenção de produtos de alto valor acrescentado ricos em carbono orgânico, como os ácidos gordos voláteis, a partir da recuperação de resíduos orgânicos gerados em ambientes urbanos. O projeto promoverá a economia circular, potenciando a redução da quantidade de resíduos e a proteção do meio ambiente através da conversão de resíduos em recursos altamente procurados pelas indústrias de plásticos, lubrificantes ou agroquímicos.

O projeto ECOVAL, sigla para “Estratégias de coordenação da gestão e recuperação de lamas e resíduos orgânicos na região SUDOE”, será financiado através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e decorrerá até 2023. Em curso desde Novembro, o consórcio realizou esta semana, em formato virtual, a reunião de lançamento no sentido de garantir a coordenação entre as diferentes acções do projeto.

Cooperação transfronteiriça para promover um novo modelo de gestão ambiental

Para desenvolver este modelo de gestão ambiental da matéria orgânica, irão colaborar com a Cetaqua parceiros da região SUDOE (Espanha, Portugal e distritos transpireneanos franceses) com experiência nas diferentes fases da cadeia de valor dos resíduos, que fornecerão as competências necessárias para garantir a viabilidade deste modelo. São elas a Universidade de Santiago de Compostela, a Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, a Fundación Empresa-Universidad Gallega, o Instituto Nacional de Ciências Aplicadas de Toulouse, Nereus, Águas do Tejo Atlântico e a Empresa Municipal Ambiente do Porto.

Além disso, até 29 entidades da mesma região comprometeram-se com o projeto e participarão como entidades associadas. Entre eles estão desde administrações públicas, como a Xunta de Galicia, a Junta de Castilla y León e a Câmara Municipal de Palencia, até utilizadores de produtos finais de base biológica como REPSOL, incluindo produtores de resíduos orgânicos altamente utilizáveis como Vegalsa-Eroski.

O consórcio irá trabalhar desde a recolha dos resíduos até à comercialização do produto final, através do desenvolvimento de processos biotecnológicos inovadores e integrando aspetos multidisciplinares de tipo legislativo, económico, de mercado, ambiental ou de perceção social.

O projeto ECOVAL aposta essencialmente na valorização de dois tipos de fluxos de resíduos: as lamas do tratamento de águas residuais e a fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos (FORSU), ambos com elevado teor de carbono orgânico. Assim, trabalhará para otimizar e criar sinergias entre os ciclos urbanos de água e resíduos. Nesta segunda, permitirá não só otimizar a cobrança, promovendo a separação na fonte, em consonância com os novos requisitos legislativos; mas sim para gerar uma nova cadeia de valor, que por sua vez minimiza os problemas de odores e os custos associados à sua recolha e gestão.

Área de implementação: rumo à economia circular promovendo biofábricas

Desta forma, será possível promover nas cidades do espaço Sudoe um modelo inovador de gestão de resíduos que poderá ser replicado em toda a União Europeia.

Especificamente, em Espanha, a Cetaqua irá lançar, com o apoio do Grupo Suez, demonstrações em plataformas tecnológicas localizadas nas cidades de Ourense, em colaboração com a Viaqua, e em Palência, com o apoio da Aquona, para valorização de lamas e resíduos urbanos orgânicos para obter produtos de alto valor acrescentado. Dessa forma, promove o modelo de biofábrica que procura transformar as estações de tratamento em unidades geradoras de recursos.

O Porto (Portugal) será o primeiro estudo de caso modelado para a otimização da gestão de bio-resíduos ao nível da cidade e a sua subsequente replicabilidade nas cidades de Palência e Toulouse.

O impacto ambiental deste projeto será notável uma vez que, somente na área de abrangência do projeto, são gerados 136 kg de resíduos orgânicos per capita por ano, podendo assim seguir novas rotas alternativas de tratamento para que esses resíduos sejam utilizados como recursos.